Às vezes me acho tão defasada, antiga, quadrada, em certos aspectos. São 00h07min, é sexta feira e eu não quero mais atender as tuas ligações, pelo menos não hoje, estou farta. E essa vulnerabilidade momentânea está me destruindo pouco a pouco, e no fim da noite surge você com todo este discurso machista – romântico para juntar os meus pedaços com toda paciência do mundo, e ouvir a tua voz dizendo “eu vou cuidar de você” me conforta de uma maneira inimaginável, ecoa na minha mente e me faz pensar o quanto eu nos machuco as vezes ,e por hora me convenço que de fato, preciso de você, mesmo que o meu orgulho te renegue e me rasgue.
E ai você vai embora, discutimos sem razão, aliás, parece que você enxerga razão em cada palavra que diz. Prepotente, insano!
Eu fico aqui, os meus pedaços voltam ao chão sem o menor pudor. Levanto sem conseguir engolir as entrelinhas de tudo que te ouvi dizer sem pausas. Completamente irrelevante.
Mais um copo de café, na verdade eu tenho repugnância por cafeína, lactose ou energéticos... Mas busco algo suficientemente forte e ruim para atrair a minha atenção que neste momento está diretamente relacionada a você e o seu comportamento infantil. Vou ao banheiro, olho no espelho. Meus olhos úmidos e avermelhados não contradizem quão grande é a minha vontade de que tudo fique bem novamente. Com o celular no colo esperando você ligar, deito e deixo escapar um sorriso de canto, recordando como eu sou apaixonada pelo seu jeito de querer cuidar de mim, e como é bom saber que você vai acompanhar os meus passos lentos enquanto quando puder.