Não consegue dormir.
Não por ter medo do escuro, na verdade por medo sim, mas medo de que escutem tudo o que ela dizia dormindo. À dias vinha tendo sonos perturbados, falando sobre seus arrependimentos.
Acorda no meio da madrugada, ofegante, sente o suor escorrer em sua nuca e o coração desesperado. : - Sensação ruim. Pensava ela. – Não agüento mais isso!
Então perdia o sono lembrando-se das conversas dos dois dias anteriores. Ainda não podia acreditar que mais uma vez fez tudo errado.Perguntava-se “por que isso vinha acontecendo com tanta freqüência” e pensava:
- O que uma pessoa normal faz quando se sente uma completa idiota, bebe? Se droga? Se corta? Chora?.
Era obvio que aconteceria, os finais são sempre os mesmos, garotas voltando pra casa com seus corações partidos. Por que com ela seria diferente?
Liga a TV, depois o rádio, pega um livro. Nada, absolutamente nada consegue mudar o rumo de sua psicodelia incansável, estava a mil por hora pensando como poderia ter se saído bem se tivesse feito tudo diferente. Sim, pensamento absurdamente medíocre, mas é o que sobrou depois de tudo que ouviu. Na verdade discutiram, riram, discutiram, sentiram saudades dos velhos tempos, se beijaram e se despediram. Obrigatoriamente nesta ordem.
Foi tudo tão difícil. Ela temia que ele tivesse ido para sempre, e mesmo que não tivesse, por quanto tempo poderia esperar? E novamente lembrava-se da frase que ouvira “ Infelizmente nosso tempo não bateu”. Concordava, infelizmente concordava. Foi egoísta imatura e só estava pagando o preço - Justo- Mas não hoje, não naquela madrugada. Queria dormir, esquecer, pensar no que fazer ou em não fazer nada apenas no outro dia. E adormeceu, lembrando-se de quão paciente ele tinha sido e da forma como gostava dela, rezando para que tudo se ajeitasse.
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